Política

Ex-presidentes da Câmara defendem seus legados e ressaltam independência da instituição

Ex-presidentes da Câmara defendem seus legados e ressaltam independência da instituição
Publicado em 06/05/2026 às 18:54

06/05/2026 – 11:30  
•   Atualizado em 06/05/2026 – 15:40

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Celebração dos 200 anos de instalação da Câmara dos Deputados

Ex-presidentes da Câmara dos Deputados defenderam seus legados, ressaltaram a independência da instituição e a importância do Parlamento para a defesa da democracia.

Eles foram convidados para a sessão solene que comemorou os 200 anos da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (6). A sessão de abertura da primeira legislatura da Assembleia Geral Legislativa foi realizada em 6 de maio de 1826, quando deputados e senadores passaram a atuar no processo legislativo brasileiro.

Marco Maia
O ex-deputado Marco Maia (RS), que presidiu a Câmara no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, destacou períodos de conquistas durante sua gestão. Ele citou a votação do novo Código Florestal, a Comissão da Verdade, a PEC da empregada doméstica e o segundo turno da votação da PEC do trabalho escravo, cujo primeiro turno havia sido votado há mais de 10 anos.

Para o ex-presidente, a Câmara é a síntese do pensamento médio da sociedade brasileira, mas deve ter sempre a defesa da democracia como objetivo.

“Acho que não deveríamos aliviar as penas para quem tentou dar um golpe. Se tivéssemos vivenciado um golpe em 2023, não estaríamos aqui comemorando os 200 anos. Acho que a Câmara deveria ser dura, porque não devemos tergiversar contra a democracia”, criticou Maia.

Eduardo Cunha
O ex-presidente Eduardo Cunha (RJ) destacou a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a aprovação do chamado orçamento impositivo como marcos de independência da Câmara em relação ao governo. Cunha foi afastado dias depois da abertura do processo de impeachment da presidência da Casa por decisão do então ministro do STF, Teori Zavascki.

“O processo de impeachment foi a parte mais relevante como presidente e como deputado, esse processo coroou uma independência da câmara que se tornou mais forte naquele momento, mas a votação da imposição das emendas parlamentares, foi tão relevante como o processo de impeachment”, disse o ex-deputado.

Waldir Maranhão
O ex-presidente Waldir Maranhão (MA), que ocupou o cargo após o afastamento de Eduardo Cunha, afirmou que não se arrepende de ter anulado a sessão que autorizou a abertura do processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o Regimento permitia que ele tomasse tal decisão, que acabou sendo ignorada pelo Senado, que prosseguiu com o processo.

“O recorte da história do Brasil pela democracia há um impeachment e, nesse percurso, vimos que o impeachment não é solução para nenhuma nação, o impeachment é um aprendizado amargo e, naquele momento, eu estava no exercício e compreendi que o regimento era a regra que me dava condições para que país pudesse avaliar o impeachment, já que estávamos na contramão da história”, afirmou o ex-parlamentar.

Arlindo Chinaglia
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que presidiu a Câmara entre 2007 e 2009, afirmou que o Parlamento deve estar sempre a serviço da sociedade.

Para ele, a instituição é uma das mais questionadas pela sociedade, mas é uma das mais importantes e sólidas da história. “Não há democracia sem Parlamento aberto, forte e claro. O mais importante é a população acompanhar”, disse o deputado.

Michel Temer
O ex-presidente da República Michel Temer (SP), que ocupou o cargo de presidente da Câmara por três mandatos, afirmou que também comemorou os 200 anos do Parlamento. “O Parlamento sempre foi um exemplo de democracia e é muito relevante para o Brasil”, destacou Temer.

João Paulo Cunha
O ex-deputado João Paulo Cunha, que ocupou o cargo de presidente da Câmara no primeiro mandato do presidente Lula, defendeu a reforma do Judiciário como uma pauta importante a ser assumida pelo Parlamento nos próximos anos. Ele também defendeu mais valorização dos trabalhadores de aplicativos e o foco na estrutura econômica do Brasil. Segundo João Paulo Cunha, a Câmara contribuiu muito com a história do Brasil.

“São 200 anos do Parlamento brasileiro. Ele ajudou a fazer a independência do Brasil, a proclamar a República, a inserir o direito dos trabalhadores, garantiu o direito da mulher votar, enfrentou a ditadura, fez Constituição Federal, enfim, o parlamento brasileiro contribuiu muito com a história. Houve erros, momentos obscuros, mas agora o Parlamento precisa olhar para a frente, precisa pensar em um projeto para o Brasil”, disse o ex-parlamentar.

Rodrigo Maia
O ex-presidente Rodrigo Maia defendeu as ações da Câmara durante a pandemia e a força do Parlamento nos momentos de tensão institucional entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário a partir de 2019.

“Tivemos a condição de responder rapidamente, criamos o sistema virtual em oito dias para colocar a Casa funcionando. Foi a primeira no mundo, e a partir daí continuamos a trabalhar. Foi a Câmara que criou a PEC da Guerra, que garantiu o arcabouço para o governo gastar”, defendeu o ex-deputado.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Rachel Librelon

Otavio
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