Economia

JPMorgan já começa a reduzir valor das carteiras de crédito privado nos EUA

JPMorgan já começa a reduzir valor das carteiras de crédito privado nos EUA
Publicado em 11/03/2026 às 10:15

O JPMorgan Chase endureceu as condições de financiamento a gestoras de crédito privado ao reduzir o valor atribuído a determinados empréstimos em suas carteiras, usados como garantia para novas linhas com o banco. Na prática, a medida limita quanto essas casas podem tomar emprestado daqui para frente.

A informação de que o banco avisou gestoras sobre o corte de valor desses ativos e de que a decisão foi tomada de forma preventiva, sem disparar chamadas de margem, foi publicada pelo Financial Times com base em pessoas a par do assunto. Também segundo essa apuração, executivos do setor disseram não ter visto outros bancos adotarem postura semelhante até agora.

De acordo com o jornal britânico, a reprecificação atingiu empréstimos a empresas de software, segmento que vem sendo visto com maior cautela por investidores diante do avanço da inteligência artificial e de seus possíveis efeitos sobre o setor.

Viva do lucro de grandes empresas

A analistas, Troy Rohrbaugh, co-CEO da divisão comercial e de banco de investimento do JPMorgan, afirmou em fevereiro que o banco estava ficando mais conservador do que concorrentes em relação aos riscos do crédito privado. Na ocasião, disse: “À medida que o mundo fica mais volátil, esse resultado deve ser esperado” e acrescentou: “Fico chocado que as pessoas estejam chocadas.”

O movimento ocorre em meio ao crescimento acelerado da indústria de crédito privado, que ganhou espaço como financiadora de empresas com perfil de risco mais elevado. Bancos como JPMorgan, Wells Fargo e Bank of America vêm fornecendo alavancagem ao setor, o que ajuda esses fundos a elevar retornos e competir com os bancos em operações bilionárias.

Segundo levantamento do FT, o crédito privado captou US$ 400 bilhões de investidores de alta renda desde o fim de 2020, além de centenas de bilhões de dólares de investidores institucionais. Esse avanço permitiu que as gestoras financiassem grandes aquisições, inclusive no setor de software, em um período em que essas empresas negociavam com valuations mais altos impulsionados pela tendência de trabalho remoto.

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Entre os exemplos citados estão a aquisição da Medallia pela Thoma Bravo, por US$ 6,4 bilhões, e a compra da Zendesk pela Hellman & Friedman e Permira, por US$ 10,2 bilhões. Segundo o jornal, parte relevante dessas dívidas vence nos próximos anos, em um cenário hoje bem diferente do observado na época das transações.